sexta-feira, 4 de maio de 2012

Just because you're used to something doesn't mean you like it. You're used to me.


#28 - Last book you read


Precisamos falar sobre o Kevin
Autora: Lionel Shriver
Ano: 2003
País: Estados Unidos

"(...) durante boa parte da infância de Kevin, aquelas feições estreitas, angulosas, me torturaram com meu próprio reflexo. Mas, neste último ano, seu rosto começou a se encher e à medida que vai se alargando, reconheço a sua ossatura mais larga, Franklin. Embora seja verdade que, no passado, busquei faminta na fisionomia de Kevin alguma semelhança com o pai, agora vivo brigando com essa impressão maluca que ele faz de propósito, para eu sofrer. Não quero ver a semelhança. Não quero detectar os mesmos maneirismos, aquela palmada característica, de cima para baixo, quando você descartava algo porque era insignificante, como, por exemplo, a ínfima questão de nossos vizinhos, um atrás do outro, proibirem as crianças de brincar com o nosso filho. Ver seu queixo forte retesado num ângulo belicoso, seu largo sorriso ingênuo retorcido num esgar malicioso, é como considerar meu marido possuído."

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Em abril de 1999, dois estudantes mataram treze pessoas, feriram outras vinte e um e depois se mataram no que ficou conhecido como o Massacre de Columbine. Esse episódio é, até hoje, o mais conhecido caso de atiradores na escola - que já não são poucos. Filmes, livros e documentários sobre isso não têm em comum apenas se tratar de um mesmo tema, mas todos se debruçam no que parece ser a questão crucial em torno da carnificina de qualquer natureza: por quê? O que motiva pessoas a cometerem assassinatos em massa? Ou, especialmente, o que motiva adolescentes - ou até mesmo crianças - a fazê-lo?

Quatro anos depois de Columbine, o livro Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver, foi lançado. Nele, a autora conseguiu construir uma trama extremamente original sobre o massacre escolar fictício cometido por Kevin Kachadourian. O pulo do gato foi não apenas a narradora pouco usual em histórias desse tipo – a mãe do assassino é quem escreve as cartas que formam o livro -, mas a sua própria estrutura que consegue se desconstruir e amarrar suas próprias pontas de uma maneira nem sempre vista por aí.


Precisamos falar sobre o Kevin é vendido como a história de um psicopata. Achei interessante o fato de não ter encontrado a palavra em nenhum momento no livro, mas desde que o leitor tenha algum conhecimento do seu significado, não é difícil fazer a relação. A psicopatia é, numa explicação superficial, a incapacidade de sentir empatia para com as pessoas. Nos últimos anos, o termo e os sinais que ajudam a identificar o psicopata têm-se popularizado.

Eva Khatchadourian escreve para o ex-marido, algum tempo depois do massacre, para tentar entender o que aconteceu. Não é uma simples exposição de fatos; são sequências e sequências de pensamentos que tornam até difícil acreditar que estamos lendo sobre pessoas que não existem – uma qualidade importantíssima na ficção. Eva, descendente de armênios, cosmopolita, dona da sua própria agência de viagens e ironicamente portadora do nome da mãe de todos os homens, casa-se com o homem que menos esperaria amar: um americano. Refletindo sobre o que afinal fez com que Kevin viesse ao mundo, a resposta é perturbadora: ela não queria ter um filho. Aliás, o livro todo é perturbador por tocar no que talvez seja uma das relações emocionais mais delicadas e sacralizadas de todas: a relação mãe e filho. Está exposto ali aquilo que se tem medo de dizer e mais ainda de entender: nem sempre amamos nossos filhos. E, pior ainda, é possível que os odiemos.

Como seria de se esperar, é comum retirar daí a conclusão de que Kevin se tornou um assassino por já ter nascido “rejeitado” pela própria mãe – o que considero uma conclusão no mínimo superficial. A reflexão de Eva sobre todos os anos em que conviveu com o filho podem ser tudo, menos simples, tornando impossível retirar dali apenas argumentos de causa e efeito diretos. Isso também é perturbador: a possibilidade de não existirem respostas, sendo que elas são exatamente aquilo que tanto queremos.


Kevin Khatchadourian passa longe do que se considera uma criança “normal”; literalmente desde o seu nascimento, Eva desconfia que existe algo de errado. Passando de um bebê que não para de chorar quando está sozinho com a mãe até uma criança que contrasta seu completo desinteresse em relação a qualquer estímulo com uma dissimulação assustadora para alguém tão pequeno, ela tenta entender o que move o filho. Seria o tédio em relação a qualquer coisa que o mundo pudesse lhe oferecer? Seria uma raiva injustificada contra tudo? Seria uma desordem afetiva, os esforços que não foram o suficiente, uma necessidade constante de representar um papel, seria puramente apatia?

Como se não bastassem todas essas questões que são o suficiente para manter vários profissionais ocupados, a narrativa tem uma condução que não posso classificar de outro modo que não excelente. Estou fazendo um esforço para encontrar algum defeito, mas confesso que não estou obtendo sucesso nenhum na minha empreitada. Talvez haja uma pequena perda do ritmo na narração de fatos que Eva não presenciou diretamente, mas nada que chegue a prejudicar o livro – que teve nada menos que o efeito de me derrubar completamente assim que terminei de ler as linhas finais. Não existe uma maneira de ser forte lendo algo tão perturbador, que toca tão profundamente naquilo que menos somos incentivados a pensar. Não é uma descrição qualquer de uma história comum; além de passar a quilômetros de distância do clichê, estamos lendo pensamentos vindos de uma pessoa, realmente tentando procurar algum sentido naquilo em que parece não haver nenhum – e, pior, tendo que se deparar com a possibilidade de que, bem, talvez simplesmente não haja.

Acho provável que não exista uma expressão mais eficiente para descrever Precisamos falar sobre o Kevin do que um soco no estômago

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Day 29: Book you’re currently reading

Day 29: Book you’re currently reading

Daí que um dia eu ganhei os dois volumes d'O Conde de Monte Cristo (eu nunca sei se Monte Cristo é junto ou separado) e pensei: poxa, legal, mas que preguicinha de ler, deve ser chato que só a porra. Enrolei um pouquinho, finalmente decidi ler e... bem, digamos que foi uma das maiores surpresas literárias que eu tive esse ano.

Autor: Alexandre Dumas, pai
Ano: 1844
País: França

Era uma vez um rapaz de dezenove anos muito honesto e meio inocente chamado Edmond Dantès. Tudo ia bem na vida de Edmond: ele se tornaria capitão do navio onde era imediato, ia ter mais dinheiro pra cuidar do pai e se casaria com o amor da sua vida, Mercedes. Mas essa felicidade toda incomodava Danglars, outro marujo do navio que tinha ambição de se tornar capitão, e Fernand, amigo de infância de Mercedes que estava apaixonado por ela e não fazia nenhuma questão de que o casamento acontecesse. Uma armação envolvendo uma suposta carta para Napoleão acaba fazendo com que Edmond seja preso como traidor bonapartista. Na prisão ele conhece o abade Faria, que o ensina tudo o que sabe, e Edmond consegue fugir treze anos depois de ser preso, encontrar o tesouro do abade (que morreu antes de conseguir fugir) e volta irreconhecível como o Conde de Monte Cristo, distribuindo justiça para os amigos e vingança para os inimigos.

Eu vi essa história pela primeira vez no filme de 2002 (aquele com o Jim Caviezel) e lembro de ter gostado. Quando vi os dois volumes enormes do livro, fiquei pensando em como fizeram pra resumir tudo aquilo. Descubro quando rever o filme e prestar mais atenção.

A minha surpresa foi ter gostado tanto do livro. Quer dizer, estar gostando, porque ainda não terminei. É realmente envolvente, e o cara sabe fazer um suspense legal no fim dos capítulos, que são curtinhos - se bem me lembro da wikipedia, o livro foi originalmente lançado em fascículos, provavelmente por isso o formato e os ganchos emocionantes nos finais dos capítulos. 

Vendido como o "gênero de capa e espada", O Conde de Monte Cristo é mesmo uma aventura, mas não deixa de ter lá as suas vibes psicológicas. Afinal, estamos falando de um rapaz preso injustamente por treze anos (Sirius Black, anyone?) que tinha como único incentivo de viver a vontade de entender o que lhe acontecera e de se vingar de quem tinha lhe roubado a vida. Tô aqui arrependida de ter pensado que era chato.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Day 12: Book that is most like your life (e um aviso)

Antes de tudo, o aviso:

A partir de hoje, vocês também me encontram no Minoria é a mãe (sim, lá uso meu nome). Recomendo loucamente o blog, e recomendaria mesmo que não participasse dele. Trust me, vale a visita :)

Day 12: Book that is most like your life

Autor: Caio Fernando Abreu
Ano: 1982
País: Brasil


frescos morangos vivos vermelhos


Sim, eu sei o que se fala do Caio pela internet afora (e da Clarice também. Caio, aliás, era grande admirador dela). But I don't give a single fuck, e não digo isso pra pagar de blasé nem nada do tipo: é que eu realmente não me importo e nem tenho interesse o suficiente pra tentar me importar. Um dos fatos fundamentais da vida é: sempre vai haver alguém que não gosta do que você gosta e vice-versa, deal with it. Eu muito raramente vou estar interessada no fato de um autor ser bem aceito pela crítica ou não, ter influência x ou y, ter um estilo considerado z ou w. Eu vejo se gosto ou não, e é assim que funciona. Li Caio, gostei, então é o suficiente.

Isso posto, vamos aos fatos. Eu li Morangos Mofados quando não estava no melhor dos momentos. São dezoito contos que me tocaram de todas as maneiras possíveis, e a maior parte delas não foi amigável; como eu escrevi na época, ler esse livro é como mergulhar num coração. Não há calmaria lá dentro, há só o turbilhão de sentimentos, e é isso o que mais me agrada no Caio: eu consigo sentir o coração dele ali, e é isso que me importa. Foi uma leitura dolorosa, lenta e tensa, mas quando terminei, alguma coisa aconteceu. Coloquei a cabeça pra fora. 

Os dois últimos parágrafos do último conto (que leva o mesmo nome do livro) me deram a injeção de esperança que eu precisava naquele momento. Assim, automaticamente. Eu terminei, reli esse trecho, reli mais uma vez, e agradeci. Além do simples gostar, é isso que faz um autor bom pra mim: me tocar, me ajudar, me entender de alguma forma. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Não se preocupe", sorria ele. "Morrer é muito mais difícil do que se acredita."

#1 - Livro favorito

Não vou falar do livro favorito, favoritão mesmo, porque seria sacanagem falar do Encontro Marcado... DE NOVO. Eu já falei tanto desse livro na vida, e exatamente nessa mesma posição, que é melhor variar um pouco. O fato é que o top 3 de livros no meu coração é, atualmente, o seguinte (em ordem alfabética, porque né):

  • A Menina que Roubava Livros
  • Cem Anos de Solidão
  • Grande Sertão: Veredas
  • O Encontro Marcado

Sim, tem quatro livros aí. Me deixa.

Mas vamos falar de coisa boa, vamos falar de Cem Anos de Solidão.

Autor: Gabriel García Márquez
Ano: 1967
País: Colômbia

"Só quando começou a desmontar a porta do quartinho é que Úrsula se atreveu a lhe perguntar por que o fazia, e ele lhe respondeu com certa amargura: “Já que ninguém quer ir embora, nós iremos sozinhos.” Úrsula não se alterou.
— Nós não iremos — disse. — Ficaremos aqui, porque aqui tivemos um filho.
— Ainda não temos um morto — ele disse. — A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.
Úrsula replicou, com uma suave firmeza:
        — Se é preciso que eu morra para que vocês fiquem aqui, eu morro."

Cem anos de solidão conta a história de uma família, em várias e várias gerações. Se passa no povoado fictício de Macondo. Um gênero? Realismo fantástico.

Histórias de família sempre têm aquela coisa toda especial. Talvez seja o drama - que invariavelmente sempre vai estar lá, porque, oras, estamos falando de famílias, certo? -, talvez seja a possibilidade de acompanhar vidas, talvez seja  curiosidade de saber onde vai dar o destino e se ele está mesmo ligado a outros tantos fatores. Em Cem anos de solidão existem muitos e muitos personagem (dá uma olhada na árvore genealógica), e boa parte deles com o mesmo nome: José Aureliano Buendía. Uma das coisas que eu achei impressionante foi que, mesmo não dando pra se aprofundar totalmente em tanta gente, cada José Buendía é único e em determinado momento não tem mais como confundi-los.

Só li dois livros do Gabriel García Márquez na vida: esse e O amor nos tempos do cólera, que por acaso terminei hoje e fica pra outro dia do meme. Mas mesmo tendo lido pouco, já sou apaixonada pela escrita. Não sou exatamente uma grande fã do espanhol, mas não posso negar que o que é escrito nessa língua tem uma musicalidade própria. E falo isso da tradução mesmo, imagina o original. Mas não é só a língua que dá essa fluidez ao texto, é o estilo do autor também. Gosto tanto desse estilo dele quanto do Saramago, e até que os dois tem lá as suas semelhanças. Fico imaginando esses autores (e Guimarães Rosa também) quando traduzidos pro inglês, ou pra qualquer outra língua não latina. Complicado, né.

Olha ele aqui na lista das 100 melhores primeiras frases de romances.
"Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o seu pai o levou a conhecer o gelo." 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Achei relevante

Estava deprimindo por não postar aqui há quase três meses e me lembrei desse meme que vi no endless imaginary. Pensei: por que não? E cá estamos. Trinta dias, trinta livros. Não vou postar todo dia, e não garanto que vou fazer na ordem, e pretendo postar sobre outras coisas que não sejam livros no meio do caminho, mas é isso aí. Eis a lista (e se quiser fazer também, copie à vontade):



  • Day 1: Favorite book
  • Day 2: Least favorite book
  • Day 3: Book that makes you laugh out loud
  • Day 4: Book that makes you cry
  • Day 5: Book you wish you could live in
  • Day 6: Favorite young adult book
  • Day 7: Book that you can quote/recite
  • Day 8: Book that scares you
  • Day 9: Book that makes you sick
  • Day 10: Book that changed your life
  • Day 11: Book from your favorite author
  • Day 12: Book that is most like your life
  • Day 13: Book whose main character is most like you
  • Day 14: Book whose main character you want to marry
  • Day 15: First “chapter book” you can remember reading as a child
  • Day 16: Longest book you’ve read
  • Day 17: Shortest book you’ve read
  • Day 18: Book you’re most embarrassed to say you like
  • Day 19: Book that turned you on
  • Day 20: Book you’ve read the most number of times
  • Day 21: Favorite picture book from childhood
  • Day 22: Book you plan to read next
  • Day 23: Book you tell people you’ve read, but haven’t (or haven’t actually finished)
  • Day 24: Book that contains your favorite scene
  • Day 25: Favorite book you read in school
  • Day 26: Favorite nonfiction book
  • Day 27: Favorite fiction book
  • Day 28: Last book you read
  • Day 29: Book you’re currently reading
  • Day 30: Favorite coffee table book

sexta-feira, 15 de julho de 2011

After all this time?

(quando estava escrevendo eu pensei em que blog este post deveria ficar. na verdade, eu soube desde o começo que, como prometido, postaria aqui, mas me pareceu injusto deixar o baby fora disso. enfim, está postado nos dois blogs por razões sentimentais e é isso aí.)


Eu comecei a escrever isso muitas vezes e nunca cheguei nem da metade de tudo o que gostaria de dizer. Parece que nunca era a hora certa, ainda não tinha chegado aquele momento específico em que a necessidade de escrever é maior do que a simples vontade.

Mas o fato é que, em algum momento de 2001, eu estava inocentemente passando pela sala enquanto o trailer de Harry Potter e a Pedra Filosofal estava passando na televisão. Parei por alguns segundos, tempo o suficiente para pensar “hum, legal” e continuei meu caminho até outro cômodo da casa.

Esse foi o meu primeiro contato com Harry Potter, se é que posso chamá-lo assim. Algum tempo depois, já em 2002, eu fui assistir a Câmara Secreta no cinema, sem saber muito da história além do fato de que havia um garoto bruxo envolvido em altas aventuras. Nessa época eu tinha dez anos e não muito interesse em assistir filmes que não fossem animações no cinema, mas fiquei maravilhada. Com o castelo, principalmente. Mais algum tempo depois eu peguei emprestado o quarto livro. Não me perguntem por que, eu realmente não lembro por que diabos comecei a ler pelo quarto. Depois li o terceiro, o segundo e então o primeiro. Elegi Harry Potter como meu livro favorito e então comecei a ganhar um livro a cada aniversário e Natal. Tinha começado.

O que eu tenho a dizer sobre Harry Potter não é muito diferente do que outras tantas pessoas já disseram, mas nem por isso é menos verdadeiro. Veja bem, eu sei que é apenas uma série de livros. Sei inclusive que não são os melhores que já li e já não são mais os meus favoritos. Mas eles estiveram lá, entende? É isso que importa.

Eu não acho mais necessário dizer que Harry Potter me trouxe amigos, ou que me ensinou tanta coisa, ou até mesmo explicar o que seriam essas coisas. Isso todo mundo já sabe, e eu também. E uma das primeiras coisas que eu aprendi foi justamente que os livros, as palavras, unem as pessoas.

Harry Potter me lembra livros lidos em qualquer hora, qualquer lugar, só pelo prazer de saber o que vai acontecer. Me lembra a espera pelo próximo livro, os dias em que os ganhei de presente, os sites e joguinhos toscos de cinco, sete anos atrás, as seções de rumores. As fics. E pensar que até o começo desse mês eu não me lembrava de como sentia falta das fics. Me lembra, é claro, o 6v e todas as pessoas que eu conheci nele, e as que chegaram agora e eu não vi porque estive tanto tempo ausente.

O último livro saiu em 2007, no ano em que eu entrei no CEFET. E último filme estreou exatamente no dia em que o semestre 2011.1 oficialmente acabou e eu, finalmente, terminei o curso. Mais uma forma de abrir e fechar fases. Se eu for contar desde aquele dia na sala, em 2001, são dez anos que se passaram. E dez anos, pra mim, significa simplesmente metade da minha vida.

Eu vou me lembrar de Harry Potter sempre com muito carinho e agradecer por ter tido oportunidade de acompanhar tudo isso. De ter tido oportunidade de crescer nisso, nessas palavras, nessa família, literalmente until the very end. Não é que seja um fim, assim como o último livro não foi, mas certamente é uma despedida. Então, até a próxima, Harry. Estaremos aqui.

Always

sábado, 5 de março de 2011

We're all a little sissy around here

Baixei Breakfast with Scot (2007) sem muita expectativa, só pra ter uma comédia reserva, por assim dizer, pra quando estivesse cansada de me debulhar em lágrimas com os filmes ~mais sérios~. E qual não foi a minha surpresa ao assistir e adorar o filme? Acho que eu tenho que fazer isso mais vezes: assistir sem esperar muito. Enfim, vamos à sinopse.

Eric e Sam vivem juntos e um belo dia se veem meio que obrigados a cuidar de Scot (com apenas um "t" mesmo), filho da ex-namorada do irmão de Sam. A mulher morreu e Billy, o ex-namorado, é um enrolão que está demorando demais pra voltar do Brasil. Pra não deixar o menino entregue ao serviço social, Sam e Eric ficam com ele, mas não sabem muito bem como lidar com o fato de que Scotr usa as jóias e a maquiagem da mãe, etc.

Como a maioria dos filmes que tratam desse assunto (caras não-afeminados tendo que lidar com caras afeminados), Breakfast with Scot é uma comédia, mas não um pastelão caricato. Primeiro vamos reparar no fato de que estamos falando de um casal gay que não sabe como proceder com o menino; ou seja, já começa mandando beijos pra quem acha que todos os homossexuais são, necessariamente, afeminados. Outro detalhe importante é que Eric era um jogador famoso de hockey até se contundir e virar jornalista esportivo; ele é uma pessoa pública e não quer que ninguém saiba que ele é gay.

O filme é simples e segue aquela fórmula básica sobre como é importante ser diferente e se aceitar, mas eu achei muito bonitinho e delicado. A originalidade está na situação inusitada do casal, que literalmente não sabe o que fazer. Não é apenas a questão de Eric não querer ser descoberto, mas que eles morrem de medo de que Scot sofra por simplesmente ser quem ele é, e em determinado ponto eles acham melhor reprimir isso. Se você usar maquiagem, jóias e roupas cor-de-rosa os garotos da escola vão bater em você. Se você não gosta de esportes, eles vão rir de você. Existe um padrão a ser seguido pra que a gente possa ficar segura. É pra enrolar a cabeça de qualquer um, não?


Detalhe que, quando baixei, nem sabia que era canadense. São os filmes canadenses conquistando espaço no meu coração sempre -q

É isso, não tem muito o que falar. É um filme que vale a pena, tanto por ser levinho e despretensioso (não é um retrato fiel da realidade, mas dá uma aliviada nela) quanto pela atuação do Scot (Noah Bernett) que, gente, é um amor. Super recomendo.